Loki (É possível compreendê-lo?)
Loki é uma das figuras mais complexas do panteão nórdico. Um deus morador do Asgard (Olimpio nórdico), sem templos que lhe fossem consagrados. O desenvolvimento de sua figura através dos tempos está intimamente ligado às vivências na vida e cultura nórdica. Os primeiros contos referentes à Loki descrevem-no como bom e companheiro de Odin. Aos poucos se transforma num ser malévolo e diabólico.
Por mais de um século estudiosos explicam sucessivamente Loki como o deus do fogo, do trovão, ou da morte, um reflexo do diabo cristão ou um herói civilizador, comparável a Prometeu. Em 1933, Jan de Vies aproximou-o do trickster, personagem ambivalente, próprio das mitologias norte-americanas. Sucessivamente este personagem sofre transformações nas interpretações relativas a ele.
Descrições Mitológicas:
No panteão nórdico existem duas famílias divinas, os Asses e os Vanes. Loki, que também era considerado um deus, não pertence a nenhuma dessas famílias, vive com os deuses no Asgard (morada divina). Conta o mito que ele pertence a raça dos gigantes. É filho de Laufey e Farbauti (aquele que batendo faz sair fogo). Loki, na raiz germânica, etmologicamente significa fogo ou chama.
Seus filhos são Hel e Nari. Hel (correspondente de Hades na mitologia grega), era rainha dos infernos. Somente em textos mais recentes é que Hel aparece com filha de Loki, sem dúvida influenciado pelo cristianismo. Sua morada não deve ser considerada um lugar de tormentos e castigos, esta concepção era estranha aos antigos nórdicos. Pouco se sabe de Nari. Loki engendrou os grandes monstros como o lobo Fenir e a serpente Midgard (monstro terrível que constantemente ameaçava os deuses; seus anéis eram grandes o bastante para abarcar todas as terras conhecidas pelos homens). Por isso em algumas versões estes são considerados seus filhos, sua criação.
Loki é inventivo e atrevido, sua curiosidade é insaciável. Ele possui numa montanha um observatório mágico, que lhe permite tudo observar sem nunca ser visto. Assim como Mercúrio, Loki tem um par de sandálias mágicas dotadas de asas, que lhe permite deslocar-se rapidamente quando é necessário. Nunca se sabe qual será seu próximo passo, ora foge, depois volta para em seguida fugir e voltar triunfante. Sua descrição física é descrito como pequeno em estatura, de olhos vivos e malignos, porém, belo e sedutor.
No inicio, Loki é o inseparável companheiro de Odin, junto com ele enfrentou inúmeras batalhas com os gigantes. Assim como Odin, Loki é perito em transformações corporais. Seu disfarce predileto é metamorfosear-se em mulher. Sua sabedoria fazia dele conselheiro dos deuses. Ninguém pode gabar-se de conhecê-lo perfeitamente. Muda como o vento. Conhece todas as fraquezas e faltas dos deuses e deusas. Deitou-se com todas as deusas, e não hesita em caluniar e denunciar os segredos alheios quando mais lhe convém. Mesmo com todo seu aspecto negativo, suas calúnias e suas fraudes, Loki sempre prestava precioso serviço aos deuses.
Como é o caso da célebre aposta que fez com os irmãos Brokk e Sindri (anões-ferreiros). Loki apostou que eles -- Brokk e Sindri -- jamais poderiam fazer objetos tão maravilhosos como os filhos de Ivaldir (pai de outros anões-ferreiros) haviam feito. Eles aceitaram o desafio, e logo se puseram a trabalhar. A fim de perturbá-los, Loki transformou-se numa abelha, e picava-os sem parar. Porém, os anões deram cabo da tarefa e construíram objetos magníficos. O anel Draupnir, o javali de ouro e o famoso martelo de Thor. Os deuses jamais tinham visto coisa igual.
Loki tinha perdido a aposta, e sua cabeça pertencia aos anões. Quando quiseram prendê-lo este já estava longe, talvez no ápice do mundo ou nos abismos das águas. Sua sandália mágica o transportava a qualquer lugar do mundo. Os anões queixaram-se a Thor, que prendeu Loki e o entregou aos vencedores. Brokk avisa-lhe que vai cortar sua cabeça, mas a eloqüência de Loki é tal que por fim só costuraram-lhe os lábios, a fim de que não pudesse mais falar. Mesmo com enorme dor, Loki retira o fio e escapa são e salvo.
Seu comportamento é desconcertante. De um lado é companheiro dos deuses e gosta de combater seus inimigos, os gigantes; manda anões forjarem certos objetos mágicos e acaba dando-os para os deuses. De outro lado é mau, amoral e criminoso. É autor do assassínio de Baldr, e disso se vangloria. Inúmeros mitos se acumulam em torno de Loki, que desempenha um papel em quase todas as farsas e histórias, põem em cena os deuses e os gigantes.
Nunca ninguém definitivamente conseguiu pegá-lo ou prendê-lo. Numa das versões, somente depois de confessar o crime da morte de Baldr (o deus da luz) é que Loki foi capturado pelos deuses. Como punição amarraram-no a uma pedra, onde havia acima uma cobra lançando veneno sobre seu rosto, queimando-o e causando-lhe terrível agonia.
Outra versão nos fala sobre um banquete no palácio de Aegir (deus dos mares), onde Loki não foi convidado, por causa de sua língua venenosa. Reuniram-se todos os deuses e deusas, exceto Thor (que percorria os países do Este). De súbito Loki irrompe na sala, todos se calam a sua vista. Humildemente pede que lhe concedam um copo, e, lembra aos presentes que não se nega jamais a um copo a um viajante cansado. Ninguém responde. Loki, sempre cortes, solicita o favor de sentar-se. Como mandam as leis da hospitalidade, e os deuses desejosos de respeitar o costume, dão lhe lugar à mesa.
Ao sentar-se, com precisão admirável, começa a lembrar a cada um os episódios mais escandalosos de sua vida. Às deusas recorda adultérios, com particularidades e minúcias, e, logo a seguir, vangloria-se de ter possuído todas. Sif, esposa de Thor estende um copo de hidromel pedindo-lhe que ponha fim aquelas informações escandalosas. Mas ele, zombador, lembra-se dos momentos em que ela, feliz e uivando de prazer, passara nos seus braços. Diz: A esposa do Todo-Poderoso Thor... Mal seu nome fora pronunciado, Thor aparece na sala chispando fogo, e com o martelo quis estraçalhar-lhe o crânio. Mas Loki já estava longe, sempre insultando e ofendendo. Semelhante audácia, porém, não podia ficar impune. Os deuses conseguem apoderar-se dele, que se transforma num salmão. Amarram-no com as tripas de seu próprio filho, Nari. E Loki, por muito tempo, rmanecerá prisioneiro dos deuses.






Carmen Miranda, pseudônimo de Maria do Carmo Miranda da Cunha, (Marco de Canaveses, Portugal, 9 de fevereiro de 1909 — Beverly Hills, Estados Unidos da América, 5 de agosto de 1955) foi uma cantora e atriz luso-brasileira Sua carreira artística transcorreu no Brasil e Estados Unidos entre as décadas de 1930 a 1950. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Chegou a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos Estados Unidos. Seu estilo eclético faz com que seja considerada precursora do tropicalismo, movimento cultural brasileiro surgido no final da década de 1960.


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